CARTA DE PRINCÍPIOS ABREMC formulada coletivamente em 2022 prepara-se para avançar em novos "Temas-Geradores" e "Praxis Museológica" para o Fórum Nacional de Museus do IBRAM 2024 em Fortaleza, Ceará

CARTA DE PRINCÍPIOS ABREMC formulada coletivamente em 2022 prepara-se para avançar em novos "Temas-Geradores" e "Praxis Museológica"  no Fórum Nacional de Museus IBRAM 2024/Fortaleza, Ceará.


Durante os anos de 2020 a 2022 - período da pandemia - a ABREMC promoveu uma série de eventos (online) e ações para refletir sua prática política-museológica. Os principais resultados deste esforço foi a elaboração coletiva da CARTA DE PRINCÍPIOS e os TEMAS-GERADORES que orientam as diretrizes da ABREMC.

O trabalho coletivo envolveu Ecomuseus e Museus Comunitários das 05 (cinco) regiões brasileiros. A saber (*): 

Ecomuseu Campos de São José (São José dos Campos, SP): Tem como objetivo promover o empoderamento comunitário e a valorização do patrimônio cultural e ambiental. Propõe a co-criação de soluções para os problemas coletivos que se dão no território. São realizadas ações de identificação, seleção, salvaguarda, difusão e manutenção do patrimônio local. Persegue ainda os objetivos do desenvolvimento sustentável visando a agenda 2030; visa o empoderamento comunitário com relação à gestão dos resíduos sólidos, manutenção de agrofloresta urbana e hortas comunitárias em espaços públicos ociosos. 

Ecomuseu da Amazônia Ecomuseu da Amazônia (Belém, PA): É um museu aberto que vivencia o cotidiano das comunidades e se insere no território amazônico. Tem suas bases assentadas na participação popular para a construção de um programa de desenvolvimento humano sustentável que possibilita a integração de todos, bem como, representa as necessidades e interesses das comunidades partícipes. Desenvolve programas de preservação e recuperação do patrimônio natural e cultural com vistas aos objetivos de desenvolvimento sustentável-ODS/2030. Tem como missão - Pensar de forma coletiva e interinstitucional os problemas da região e suas comunidades sem desvincular as dimensões ecológicas, sociais, educacionais, culturais, políticas e econômicas. Sua metodologia tem como aporte quatro eixos temáticos: cultura, meio ambiente, turismo de base comunitária e cidadania.

Ecomuseu da Serra de Ouro Preto (Ouro Preto, MG): lógica territorial, patrimônio arqueológico, cultural, natural e paisagístico; cercado por áreas de proteção ambiental; patrimônio familiar – memória, história, cultura – exploração de sentidos e significados para a população. 

Ecomuseu de Maranguape (Cachoeira, Ceará): Sediado em comunidade que conquistou na década de 1970 sua emancipação fundiária por meio de uma Associação de Agricultores. Encontra-se em sua gênese social, a gestão da terra e do patrimônio cultural; participação na Agenda 21 local; transformação das edificações históricas em equipamentos culturais; organização comunitária local para a preservação e salvaguarda  do patrimônio cultural na perspectiva comunitária, das lutas pela memória, da emancipação humana e social e da autodeterminação. Contempla 3 eixos interdisciplinares: educação, cultura e meio ambiente. Sua missão, visão e valores assentam-se no paradigma da museologia de práxis comunitária e das ideias de educação popular de Paulo Freire.

Ecomuseu de Pacoti (Serra de Baturité, Ceará): importância territorial; 1ª área de proteção ambiental do estado do Ceará; entendimento do patrimônio cultural e natural como integral; interligação com a escola pública de ensino médio; releitura das experiências dos viajantes naturalistas do século XIX para a realização do inventário desse patrimônio, considerando a História, a Geografia, as paisagens e a Biologia.

Ecomuseu de Sepetiba (Rio de Janeiro, RJ): Ecomuseu comunitário que se constituí enquanto coletivo, processo museológico de construção coletiva de valorização, divulgação  e preservação dos patrimônios do território que abarca (do bairro e da baía de Sepetiba); enfoque no trabalho de patrimonial em parceria com as escolas locais, oficinas, exposições itinerantes  ações de conscientização e mobilização e passeios de reconhecimento.

Ecomuseu Ilha Grande (Ilha Grande, RJ): É ao mesmo tempo um ecomuseu e museu universitário/UERJ; 4 núcleos – Museu do Cárcere (memória prisional, direitos humanos, liberdade); Museu do Meio Ambiente (biodiversidade); Parque Botânico (pesquisa e produção de mudas nativas); Centro Multimídia (acervo digital e midiático, novas tecnologias). A missão do Ecomuseu Ilha Grande é incorporar a comunidade como sujeito do processo de conservação e desenvolvimento sustentável do território da Ilha Grande, por meio da preservação, pesquisa, valorização e difusão da história, memória, cultura e, identidade, locais, bem como do patrimônio natural, material e imaterial, promovendo a reflexão e a ação consciente.


Ecomuseu Natural do Mangue (Fortaleza,Ceará): sensibilização e educação ambiental através de aulas de campo para ambientes: escolar, familiar e turístico, para a preservação e recuperação dos manguezais; trabalham sob os objetivos do desenvolvimento sustentável/ODS; educação, patrimônio natural e cultural, espiritual, vida na água e na terra.

Museu dos Pássaros e Outros Bichos (Belém, PA): ponto de cultura e ponto de memória; fortalecimento da cultura popular genuína paraense dos cordões de pássaros e bichos; promoção de pesquisas e estudos dessa tradição que mescla teatro, dança, canto, música, drama cômico, encenado por pessoas de todas as idades – “Ópera Cabocla”; integra a “cultura viva nacional do Ecomuseu da Amazônia”.

Museu Vivo Cândido Ferreira (Campinas, SP): instituição do SUS/Serviço de Saúde Mental; participante do movimento da luta antimanicomial/ reforma psiquiátrica brasileira; “convivência e cuidado digno em liberdade e na diversidade humana”; ponto de memória – Fundação Museu Vivo Cândido Ferreira. 

Fórum de Museus de Base Comunitária e Práticas socioculturais da Amazônia. O Fórum foi criado no ano de 2018 como um coletivo constituído de museus normativos, comunitários, ecomuseu, pontos de memórias e cultura e grupos de pesquisa em Educação, Ambiente e Museologia do Estado do Pará. O fórum é um espaço aberto e dinâmico que visa fortalecer o movimento museológico amazônico, visando a circulação do patrimônio cultural como um bem coletivo e Instrumento político de cidadania Amazônica. O Fórum tem atualmente 30 membros de 14 instituições de diferentes espaços museológicos do Pará e atua com pesquisa, eventos culturais e ações nas políticas museológicas.

Museu Aracy Paraguassú (Itaituba, PA): Criado com objetivo de registrar   a história do município de Itaituba, através das salas temáticas. Proporcionando aos educandos e educadores o conhecimento da origem e desenvolvimento cultural, esportivo, educativo, artístico, cultura indígena e arqueológica da região.

Ecomuseu Serra do Rio do Rastro ( Lauro Muller, SC): O Ecomuseu comunitário Serra do Rio do Rastro possui unidades Museológicas, Ambiental, Geológica e Histórica com finalidades, atribuições e organização. É um Ecomuseu de construção coletiva de valorização, divulgação  e preservação dos patrimônios do território do município de Lauro Muller. A metodologia utilizada, baseia-se nos eixos da cultura, meio ambiente, turismo de base comunitária e cidadania. Desenvolve no trabalho patrimonial de valorização do território; valorização da cultura local; exposições temáticas, em sua Sede;  ações de conscientização e mobilização com passeios de reconhecimento; turismo de base comunitária, e valorização da agricultura familiar.

Ponto de Encontro com Comunidades Tradicionais: Espaços de Memórias e Práticas culturais (Belém, PA):  uma proposta de ações concebida em 2009 como uma das ações do Grupo de Pesquisa em Educação e Meio Ambiente (Grupema) que busca contribuir com a construção de uma agenda político-pedagógica de diálogo entre diversas práticas culturais que tratam dos diversos saberes que revelam e preservam Memórias de comunidades tradicionais. Constitui-se como um Espaço Ecoeducativo voltado para debates, pesquisas e ações participativas sobre temáticas que informam e conformam memórias e práticas culturais de comunidades tradicionais, no contexto de processos educativos e produção da existência.

Ecomuseu Dr. Agobar Fernandes (Blumenau, SC): Aberto ao público em 2007, trabalha com a comunidade local e visitantes, com o objetivo de (re)conhecer novas paisagens e mudanças no território profundamente ligadas ao desenvolvimento econômico e cultural da região. Intenta despertar a sensibilidade dos cidadãos para a valorização dos recursos naturais, da biodiversidade existente, pendente de um novo modo de reconhecer, respeitar e interpretar a natureza.

Museu da Boneca de Pano: (Fortaleza, CE) Museu da Boneca de Pano: É um espaço de promoção, difusão e preservação da Cultura popular tradicional com foco no universo da boneca de pano buscando uma maior interação entre a cultura e a  sociedade, incentivando reflexões, críticas e ações através das oficinas e vivências que permeiam as ações educativas. Fazer a cultura presente afim de contribuir na aprendizagem e apresentar a herança cultural de um povo  com os saberes e fazeres.

Laboratório do Bem Viver: (Campinas, SP) Programa de ação cultural educativa que funciona como uma plataforma experimental para o fazer-conhecer da museologia comunitária/ social no município. De natureza intersetorial e transversal, seu objetivo é a realização de projetos e ações colaborativas que mobilizem a memória e o patrimônio integral das comunidades para ampliar sua resiliência e promover o seu Bem-Viver. Tem como objetivo conectar, ampliar a visibilidade e o apoio às iniciativas de auto-organização comunitária que envolvem a preservação da vida e a realização humana na cultura e pela cultura. Aposta na sinergia entre instituições museais, trabalhadores, estudiosos e comunidades, para transversal as estruturas e favorecer a sua apropriação em bases criativas e autorais. Atua, ainda, para a formulação e implementação de políticas públicas de cultura participativas e de cunho interculturalizante. Fundamenta suas propostas nos princípios das museologias participativas, na Biologia do Conhecer e nas Epistemologias do Sul.


Os TEMAS-GERADORES e as respectivas categorias de análise subjacentes ao trabalho de interpretação dos dados recolhidos, foram pela primeira vez apresentados no importante evento (online) para celebrar a criação da PLATAFORMA ABREMC PAULO FREIRE & MUSEOLOGIA COMUNITÁRIA em 2021 (Acessar vídeo: https://youtu.be/X-J9bQOXtew?si=gxrrP3YBVIHigWz0) e posteriormente discutido de modo transversal durantes o SEMINÁRIO ABREMC de MUSEOLOGIA COMUNITÁRIA em 2022 (Acessar os 04 vídeos: https://youtube.com/playlist?list=PLi_0Gi2SvyctvNC4WONPpwdCWQXj6hwdF&si=DI6cmDqzQWb29Bv2)

Não obstante, este estudo exploratório do OBSERVATÓRIO ABREMC consubstanciou e qualificou mais ainda a ABREMC a conduzir processos formativos (**) em parceria com a Rede Italiana de Ecomuseus no ACORDO DE COOPERAÇÃO "Distantes mas Unidos". Muito em função dos avanços na perspectiva da PRÁXIS MUSEOLÓGICA E de PLANOS POLÍTICOS-MUSEOLÓGICOS. Ambos conteúdos teóricos metodológicos desenvolvidos desde 2015 por inciativas da ABREMC.

Tais avanços, agora com mais apropriação conceitual será levado um dos momentos de apresentação e discussão que a ABREMC vai dar a conhecer durante o FÓRUM NACIONAL DE MUSEUS IBRAM em Fortaleza, Ceará. Por ora, compartilhamos o documento que estará novamente em discussão nos eventos da ABREMC até antes do FNM, para que seja apresentado sua versão coletivamente atualizada.




Notas:

(*) Iniciativas participantes entre os anos de 2020 e 2022 das atividades do OBSERVATÓRIO ABREMC que coletivamente produziram os conteúdos e dados analisados e interpretados pela equipe da diretoria executiva da ABREMC. Atualmente o quadro de inciativas museológicas da ABREMC conta com um maior número, bem como os TEMAS-GERADORES. Conteúdo que será atualizado em artigo a ser publicado brevemente.

(**) Ainda neste ano de 2024 será realizado um novo evento online do Acordo de Cooperação "Distantes mas Unidos" para oficializar um protocolo de elaboração de uma programa formativo para o campo da museologia Comunitária.

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